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eternuridade
Eternuridade, s.f. (do lat. aeternitate por aglutinação com do lat. ternu). Qualidade efémera do que é terno. O que há de eterno no transitório. Afecto muito longo; tristeza suave e demorada. textos e fotos: gouveiamonteiro(at)gmail(dot)com LIGAÇÕES
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14 de setembro de 2003
Eternuridade (VI)

Coisa rara de propriedades ainda não completamente investigadas, a eternuridade manifesta-se nos momentos do transitório que se revelam fora do tempo por obra das insinuosas forças do esquecimento e da memória. A eternuridade alimenta-se d' "o que há de poético no histórico, extraindo o que há de eterno no provisório (...) A modernidade é o transitório, é a metade da arte cuja outra metade é o eterno e o imutável. Numa palavra, para que toda a modernidade seja digna de tornar-se eternuridade é preciso extrair dela a beleza misteriosa que a vida humana coloca nela."
E então, num cortar de respiração, o diafragma colado aos pulmões, experimenta-se um prazer calmo e a certeza de que há forças cimeiras que, nesses momentos, piscam olhos de relógio.
"Existe um duelo entre a vontade de tudo ver nada esquecendo e a faculdade da memória, que ganhou um hábito de absorver vivamente a cor geral e a silhueta, o arabesco do contorno." Mas a memória inclui o esquecimento e assim tudo amadurece no espírito em estranhas relações que se demoram ocultas apesar de sentidas e de, por isso, obedecidas.
E há também e para todos a democrática ternura. O sossego secreto de coleccionar banhos de antiguidade em dias simples. O imaginário dos homens é analógico e só por processos desta natureza se consegue intuir as coisas verdadeiramente importantes. Só através do véu sinuoso da metáfora se conseguem caçar imanências, eclipses demasiado brutos para serem olhados a nú. Até um naufrago tem consolo.
"E se alguma vez, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais, já diminuida ou desaparecida a embriaguez perguntai ao vento, à vaga, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio, vos responderão: "São horas de vos embriagardes! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos sem cessar! de vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha."
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