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eternuridade
Eternuridade, s.f. (do lat. aeternitate por aglutinação com do lat. ternu). Qualidade efémera do que é terno. O que há de eterno no transitório. Afecto muito longo; tristeza suave e demorada. textos e fotos: gouveiamonteiro(at)gmail(dot)com LIGAÇÕES
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30 de abril de 2004
Coração com batatas fritas

Este texto está a ser escrito. Agora está a ser lido. Pode ler-se um texto antes de o escrever?

Como começa a vida das coisas? A última refeição na medina de Marraquexe foi coração com batatas fritas. Antes da partida, o último passeio pela praia dos pugilistas e dos profetas. Sol quente e um exército de espremedores de laranja. Foto com macaco.
A paisagem começa a sumir-se à medida que vamos à procura do nosso Sul, de um lugar que fosse bom para voltar atrás. Uma hesitação do mapa acaba em Tafraoute, um cidade de barro com exames de condução. Rumo a Ifni a noite cai. Uma tabuleta faz stop. PLAGE BLANCHE 65 Km.
Só existem os primeiros 15 km de alcatrão. Daí para a frente segu!mos pela estrada por fazer. Entre as máquinas e o pó vamos fazendo as contas ao risco. Estranhamente, nem nos passa pela cabeça recuar. A viagem começa a parecer interminável quando surge o cheiro a mar. Sem lua, o canto das águas parece desmentido pelo aspecto a coisa nenhuma.
Ouvem-se ladrar, ao longe uns casebres. Temos medo molhar os pés na praia que ainda não se vê, mas se imagina. O cão, Sam, trazia um homem. Estava-lhe confiada a tarefa de zelar pelos casinhotos que servem de estaleiro à grande obra que ainda não começou. Em 2010, se tudo correr bem, a Plage Blanche será uma nova Agadir, uma cidade ocidental para turismo de massas. Naquela noite era apenas um sítio escuro com um homens e uns cães. Somos convidados a entrar.
O zelador da Plage Blanche confirma que lá em baixo é o mar. O homem mora numa casa imunda. Nem a luz desmaiada da vela o consegue disfarçar. Sentados na sala, um ché. Depois partilhamos com os cães a mesa e o Tajine possível. O homem explica que estamos no início do Sahara ocidental, numa língua de areia com 80 km que depois se transforma em Mauritânia e deserto. Lá em baixo estava um amigo, acampado. Ele queria lá ir.
Em cinco minutos, arriba abaixo, o jipe leva-nos pelo caminho estudado até à tenda. Kamal, o amigo, é o nosso dono do Sul. Herdeiro de um estabelecimento comercial, mora perto, em Goulimine. Desde o divórcio passa ali um mês por ano. Pouco amigo de reis, é um individualista amável. Convenceu-nos a dormir ali mesmo. No começo do deserto, ao relento, embrulhados nos sacos-camas.
Teria sido fácil dormir não fosse a aproximação de uma 4L da aldeia de pescadores, na outra margem do delta. Sempre pelo areal, passaram à nossa frente, fizeram um círculo e seguiram. Os farois acesos na noite do deserto bastaram para nos atirar outra vez para dentro do jipe. Estávamos muito a norte para nos cruzarmos com a Frente Polisario, mas aquele era o nosso Sul. Quem nos garante que isso não conta?
A madrugada acordou-nos pelo calor e brindou-nos com uma mão cheia de recursos. O mar, uma praia, a foz do rio, o areal, as montanhas e as palmeiras com camelos e garças. E nós, finalmente acordados com humidade e calor. Kamal ia já no terceiro pequeno-almoço quando nos juntámos à mesa. Contribuímos com sumo de pacote e bolachas. Recebemos mel e pão de plástico. No fim, a Sofia fez o número dos toques com a bola de futebol. Número que já impressionou Eusébio, o próprio. Kamal apreciou e explicou-nos Marrocos e o Fado. Porque ele é um homem do sul e todos os homens do sul sabem de futebol e de fado.
Mesmo no fim da manhã decidimos arrancar, pela praia. Tentámos evitar o regresso pelos 65 kms de estrada inacabada. Mal por mal, a areia estava pronta e, se tivesse sido viável, o caminho poupar-nos-ia mais de 50 kms no caminho para Ifni.
Para conduzir na areia não se pode mudar de mudança. Deve arrancar-se já na velocidade que se julgar confortável e sustentável durante toda a travesia. Caso as coisas corram mal o único retorno é fazer marcha atrás pelo trilho escavado na areia. Deve retirar-se um pouco de ar aos pneus. Mas o areal tem muita inércia. As dificuldades e a minha imperícia ao volante aconselharam-nos a começar a inflectir para a direita afastando-nos do mar. Depois da primeira barreira de pequenas dunas parecia haver alguma gravilha e um piso mais estável.
(continua)
.: Publicado por lgm @ 4/30/2004
29 de abril de 2004
O Verão nunca começa

Disseram-me que me tornava numa pessoa triste.
- É do Tempo, respondi.
- Do tempo?! Da chuva?
- Não, do Tempo. Do que podia ter sido
.: Publicado por lgm @ 4/29/2004 - 0 Comentário(s)
25 de abril de 2004
Da Vinci Tropical
.: Publicado por lgm @ 4/25/2004 - 0 Comentário(s)
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