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eternuridade
Eternuridade, s.f. (do lat. aeternitate por aglutinação com do lat. ternu). Qualidade efémera do que é terno. O que há de eterno no transitório. Afecto muito longo; tristeza suave e demorada. textos e fotos: gouveiamonteiro(at)gmail(dot)com LIGAÇÕES
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13 de setembro de 2003
O ridículo (IV)

"Há em todos os homens duas pulsões simultâneas, uma na direcção de Deus, outra na direcção de Satã. A invocação a Deus, espiritualidade, é um desejo de subir de degrau; a invocação a Satã é um desejo de descer de degrau; animalidade; alegria de descer".
A escolha, bem sabemos, implica a angústia de jamais conhecer o que se pretere. À beira da morte o náufrago vê uma sereia dúbia. Tem pressa de ser heróico e chegar à revelação. Vai morrer e não acredita que a vida dos filhos possa ser melhor. Não tem centro. Todas as escolhas se tornam absurdas. A vida não tem garantia. Não há sequer ciência que alguma vez tenha percebido o desígnio superior e natural de ser um homem ou uma mulher. Ai!
"Facilmente aceitamos a realidade, talvez por intuirmos que nada é real.
- Perguntei-lhe o que sabia da Odisseia. A prática do grego era-lhe penosa; tive que repetir a pergunta.
- Muito pouco.- disse - Já se terão passado mais de mil e cem anos desde que a escrevi.
Ser imortal é insignificante; com excepção do homem todas as criaturas o são, pois ignoram a morte; o divino, o terrível, o incompreensível é saber-se mortal. Doutrinada num exercício de séculos, a república dos homens imortais atingira a perfeicção da tolerância e quase do desdém. Sabia que num prazo infinito todas as coisas acontecem a todos os homens. Assim como nos jogos de azar os pares e os ímpares tendem para o equilíbrio, assim também o talento e a estupidez se anulam. O pensamento mais fugaz obedece a um desenho invisivel e pode coroar ou inaugurar uma forma secreta. Encarados assim, todos os actos são justos, mas também indiferentes. Não há méritos morais ou intelectuais. Homero escreveu a Odisseia; dado um prazo infinito, com infinitas circunstâncias ou mudanças, o impossível seria não se escrever, sequer uma vez, a Odisseia. Ninguém é alguém, um só homem imortal é todos os homens."
"Em qualquer acto onde o acaso esteja em jogo, é sempre o acaso que se cumpre. Quer ele se esconda, quer ele se confirme, é sempre o acaso que se manifesta". O infinito é bem pouca coisa e o universo está todo no papel. O Absoluto deverá conter o acaso como o infinito o finito. Procuramos em todo o lado a verdade e só nos aparecem coisas.
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